O tarot não foi inventado pra prever o futuro. Os primeiros baralhos eram pra jogar carta, como o nosso baralho comum. Foi só séculos depois que estudiosos europeus começaram a usar essas cartas como repertório simbólico, primeiro pra contar histórias, depois pra examinar a própria vida.
Hoje convive uma diversidade de tarots no mercado, dos clássicos até os ilustrados por artistas contemporâneos. Tudo isso é bem-vindo. O que muda de um baralho pro outro é a estética. A estrutura básica continua a mesma há séculos.
O que o tarot realmente é
O tarot é um conjunto de setenta e oito cartas dividido em duas grandes partes. Os vinte e dois arcanos maiores trazem temas grandes da vida humana, como nascimento, escolha, perda, transformação. Os cinquenta e seis arcanos menores trazem o cotidiano, distribuídos em quatro naipes que lembram os naipes do baralho comum.
Cada carta é uma imagem simbólica. Quando alguém faz uma leitura, sorteia algumas cartas e interpreta o que aparece. A interpretação séria não é adivinhação, é uma conversa estruturada com a própria intuição. As cartas funcionam como pontos de partida pra pensar em quem você é e em que momento da vida está.
Quem usa tarot pra tomar decisões importantes sem refletir está usando como muleta. Quem usa como provocação pra pensar está usando bem.
Uma história curta do tarot
Os baralhos italianos do século quinze são os ancestrais diretos do tarot moderno. O Visconti-Sforza, encomendado pela família ducal de Milão, é o mais famoso desses. Naquela época as cartas serviam pra um jogo chamado tarocchi, que tinha regras parecidas com bridge.
No século dezoito, o estudioso francês Antoine Court de Gébelin começou a sugerir que as imagens dessas cartas guardavam sabedoria egípcia antiga. A tese não tinha base histórica, mas pegou. A partir daí o tarot virou objeto de estudo esotérico no Ocidente, sobretudo na França e na Inglaterra.
O baralho mais popular do mundo, o Rider Waite Smith, foi publicado em 1909. As ilustrações são da artista Pamela Colman Smith, sob direção do ocultista Arthur Waite. Foi o primeiro baralho a ilustrar todas as setenta e oito cartas com cenas figurativas, e por isso virou a referência pra praticamente todos os tarots que vieram depois.
Os vinte e dois arcanos maiores
Os arcanos maiores são a parte mais reconhecida do tarot. Vão do número zero (O Louco) ao vinte e um (O Mundo). Quando estes aparecem numa leitura, eles costumam apontar para temas centrais, momentos de virada ou grandes processos.
A sequência pode ser lida como uma jornada. O Louco começa o caminho sem saber pra onde vai. O Mago descobre que tem ferramentas. A Sacerdotisa aprende a ouvir o silêncio. A Imperatriz e o Imperador encontram criação e ordem. O Hierofante encontra tradição. E por aí segue, passando por amor, força, isolamento, justiça, morte simbólica, temperança, sombra, ruína, esperança, ilusão, consciência, ressurreição, e finalmente o Mundo, que é a integração de tudo.
Ler os arcanos maiores como história ajuda muito a entender o tarot. Os artigos individuais sobre cada arcano estão sendo publicados aos poucos, e vão sendo linkados a partir da página das cartas.
Os cinquenta e seis arcanos menores
Os arcanos menores são organizados em quatro naipes. Cada naipe tem dez cartas numeradas (do Ás ao Dez) mais quatro figuras de corte (Pajem, Cavaleiro, Rainha e Rei). Os naipes seguem uma lógica simbólica que conversa com os quatro elementos da astrologia.
Paus correspondem ao fogo. Trazem ação, paixão, projetos, iniciativa. Copas correspondem à água. Trazem emoção, relação, afeto, intuição. Espadas correspondem ao ar. Trazem pensamento, palavra, decisão, conflito. Ouros correspondem à terra. Trazem trabalho, dinheiro, corpo, recursos.
Numa leitura, a presença de muitas cartas de um mesmo naipe sinaliza onde o foco da vida está naquele momento. Muitas copas indicam que o tema é emocional. Muitas espadas indicam que está rolando processo mental forte.
Como usar o tarot pra pensar melhor
O jeito mais honesto de usar o tarot é como ferramenta de reflexão. Você embaralha as cartas com uma pergunta em mente, sorteia algumas e usa as imagens como provocação pra examinar a própria situação. As cartas não decidem nada, você decide.
Uma prática simples pra começar é a tirada de três cartas. A primeira representa o que ficou pra trás, a segunda representa o momento presente, a terceira representa o que está se formando à frente. Essa leitura serve pra dar perspectiva, não pra dizer o que vai acontecer.
Se você quer aprender de verdade, comece comprando um baralho que te agrade visualmente, de preferência o Rider Waite Smith ou alguma reedição moderna. Estude uma carta por dia. Anote o que cada imagem te lembra. Em pouco tempo você terá repertório pra fazer suas próprias leituras.
Por onde seguir
Pra continuar nessa categoria, vale conhecer os artigos sobre tarot e relações afetivas e tarot e decisões profissionais. Se você for de astrologia também, a página de astrologia tem uma estrutura semelhante e os dois sistemas se conversam bem.
Tarot, no fim, é uma desculpa pra você se sentar com você mesma. Esse é o uso adulto e o mais valioso.