Quando é o momento certo
O timing importa tanto quanto o argumento. Pedir aumento em momento ruim da empresa, logo após um projeto que deu errado ou quando a liderança está sobrecarregada reduz significativamente as chances — mesmo com bom argumento.
Momentos favoráveis: após entrega de resultado concreto relevante, durante ciclo de avaliação de desempenho (quando a empresa já está pensando em salários), quando você recebeu uma proposta externa (mesmo que não vá aceitar) ou quando assumiu responsabilidades novas sem ajuste de remuneração.
Momentos desfavoráveis: período de corte de custos ou reestruturação, logo após um erro ou projeto problemático, primeiro ano na empresa sem entrega expressiva, dias de alta pressão operacional para a gestão.
Como construir o argumento antes da conversa
O argumento forte é baseado em valor entregue, não em necessidade pessoal. "Meu aluguel aumentou" ou "faz dois anos que não recebo ajuste" são argumentos fracos — a empresa não é responsável pela sua vida financeira. O que a empresa avalia é o que você entrega e o que custaria substituir você.
Levante dados concretos: quais projetos você liderou ou contribuiu significativamente nos últimos 12 meses, quais resultados são mensuráveis (receita gerada, custo reduzido, processo melhorado, equipe expandida), quais responsabilidades você absorveu que não faziam parte do escopo original.
Pesquise o mercado: sites como Glassdoor, LinkedIn Salary e Vagas.com.br têm dados de salário por cargo e setor. Saber o intervalo médio de mercado para a sua função fortalece o argumento e ancora o número que você vai pedir.
Defina um número (não uma faixa): "estou pedindo um reajuste de X%" é mais eficaz do que "gostaria de algo entre X e Y". Faixa sinaliza insegurança e ancora a negociação no valor menor.
Como conduzir a conversa
Peça um momento específico para conversar — não deixe o assunto cair no meio de outra pauta. Um e-mail simples ("gostaria de marcar 30 minutos com você para conversar sobre minha remuneração") sinaliza seriedade e dá tempo para a gestão se preparar.
Na conversa, comece pelas entregas, não pelo número. Apresente o contexto do valor que você tem gerado, mencione como as suas responsabilidades evoluíram e só então apresente o pedido. Nessa ordem: valor entregue, crescimento de escopo, número pedido.
Não ameace com saída se não tiver proposta real. "Tenho uma proposta externa" só funciona se for verdade — e mesmo sendo verdade, use com cuidado. Se usar esse argumento e a empresa chamar o blefe, você terá que sair ou perder credibilidade.
O que não dizer
Evite comparações com colegas ("a Fulana ganha mais do que eu"). Além de provavelmente incorreta (você não sabe o salário exato de ninguém), coloca a empresa na defensiva e desvia do seu argumento.
Não apresente o pedido como definitivo logo de saída. "Preciso desse aumento senão vou sair" fecha o espaço de negociação antes de começar. Deixe a conversa fluir.
Não faça o pedido por e-mail ou mensagem, a não ser que a empresa seja remota e esse seja o único canal real. Essa conversa pede presença — física ou por vídeo.
Se a resposta for não
Um "não" imediato nem sempre é definitivo. Pergunte o que seria necessário para que a resposta mudasse — e em quanto tempo. Isso transforma o "não" em um plano de ação concreto.
Se a resposta for "não agora", combine uma data para retomar o assunto. Três a seis meses é um intervalo razoável. Anote e cobre.
Se a resposta for "não, e não há perspectiva", você tem uma informação importante sobre o teto que a empresa coloca no seu crescimento. A decisão do que fazer com isso é sua — mas agora é uma decisão informada, não uma suposição.